Desde há pelo menos 35 anos, a palavra solidariedade tem estado no léxico dos portugueses, muitas vezes (demasiadas) em substituição da palavra caridade, que é ao que vimos assistindo.Portugal nos últimos anos, tem sido um baluarte da dita “solidariedade”, expressa das mais variadas formas.
Até empresas do grupo do Belmiro de Azevedo se envolvem em acções de “solidariedade” tipo faz-me-rir-que-eu-gosto-de-ser-enganado…
Há quem afirme que muita da solidariedade existente, é uma versão moderna da caridade dos tempos da “outra senhora”, vulgo salazarismo, vulgo fascismo e que, para além do mais, tem servido para algumas empresas darem uma imagem de enorme preocupação social, que no caso das do grupo SONAE, só mesmo para nos fazerem rir às gargalhadas.
Independentemente destes considerandos, convenhamos que o espírito de solidariedade ultrapassa fronteiras ideológicas. A prová-lo está o acto nobre do Berardo ao convidar o Manuel Pinho (o tal dos cornos, para os menos atentos às questões das lides), em oferecer-lhe um empreguito na sua fundação, considerando que o ex-ministro tem grandes apetências artísticas.
Venham agora dizer-me que a tauromaquia não é uma arte…
Mais louvável ainda é o facto do Berardo não colocar nenhuma condicionante ao factor idade do ex-ministro, nem muito menos, o facto dele (Manuel Pinho) vir de um governo socialista, pois como sabem os mais atentos, este tipo de pessoas, por muito dinheiro que tenham, não se deixam levar por essas questões menores, que é o ser-se socialista, ou do P.S. (que é ainda mais menos), pois outros valores se levantam.
Precisava-mos que houvesse mais Berardos. Aliás, eu até sou da opinião de que todos os portugueses deveriam ter o nível do Berardo, pelo menos (e sou modesto) em termos económicos.
Haja solidariedade!






