Sexta-feira, Agosto 04, 2006

Inspecções Auto

Às vezes, quando analiso o que se passa à minha volta, questiono-me porque razão ou que maldição recaiu sobre mim, para viver num país como este.

Portugal com uma história que deveria encher de orgulho muita gente, teve o azar – que continua a persistir – de ser governado por uma cambada de gajos, cujo objectivo primeiro é governarem-se e, governar os seus amigalhaços.

Não me admira portanto, que tenhamos governantes que talvez fruto de infâncias infelizes, achem que somos, peças de Lego, com que eles vão brincando.

Eu já tenho idade para aguentar estes gajotes, mas, como não tenho sangue de barata, não posso ficar indiferente às medidas que se vão tomando, sempre com o claro objectivo de não haver objectivo nenhum, pelo menos perceptível.

Exemplos?... Oh… são mais que muitos. Mas só vou de momento despejar uma que me anda atravessada há muito tempo: As inspecções automóveis.

Tinha a ideia, que a razão principal das inspecções, era o discutível conceito de segurança rodoviária. Digo discutível porque, como em princípio todos os carros têm seguro, entendo que a preocupação sobre as condições das viaturas, deveriam ser das seguradoras. Afinal, se uma pessoa para fazer um seguro de vida tem de ter níveis de saúde aceitáveis, porque o mesmo principio não se aplica ao ramo automóvel? Mas adiante…

O ano passado, quando fui fazer a "vistoria" ao meu carro, o funcionário que me atendeu, chamou-me à atenção para a limpeza do interior do veículo. Fiquei pasmo! O que raio tem a limpeza do interior do carro, a ver com a segurança do mesmo? – Interroguei –, respondendo-me que era a lei que impunha isso, e que, caso fosse apanhado pela brigada, a multa era pesada.

Como tenho brevemente de ir com o carro à inspecção, falei na oficina sobre a preparação necessária para não vir a ter problemas, pelo que fiquei a saber que, para além da limpeza, até com o mecanismo de subida dos vidros, esses macacos estão a pegar.

É caso para desabafar: P.Q.P.!!!

Um gajo (eu) nunca teve (felizmente) um acidente, apesar de já conduzir há mais de 30 anos; anda muitas vezes "ó tio,ó tio" para ter o carro a funcionar em condições, porque precisa dele para trabalhar, e estes ca…lhos a inventarem merdas para sacarem ainda mais dinheiro. Mais: Se o meu carro está uma merda, é comigo (deveria ser), e com a minha companhia de seguros. Logo que tenha o seguro em dia…

Não lhes basta – ao governo – a “mina” do Imposto Automóvel; o Selo; o preço dos combustíveis; as portagens (esse resquício do feudalismo); o IVA a 21%, que encareceu, e de que maneira, as reparações nos carros, ainda inventam mais formas de sacarem dinheiro a uma pessoa?

Já agora, como não sou pessoa que tem a mania que sabe tudo, pergunto: Onde fazem as inspecções, as empresas de camionagem que têm os seus veículos a deitar mais fumo que um fumador de cachimbo? E aproveitando a onda de perguntas: Como é possivel uma carro passar na inspecção, e 15 dias depois ter de levar um Kit de embraiagem novo?

Já repararam, prezados leitores, que toda a envolvênciada da questão automóvel, tem a ver com o sacanço de “graveto” ao pessoal?

Por este andar, não me admira nada que até com o hálito de um condutor peguem. Ter mau hálito, e insultar os gajos que mudam de direcção sem dar sinal, pode vir a ser considerado manobra perigosa.

Haja pachorra!

1 comentários:

José Moreira disse...

Pois bem. Podes ter alguma razão, mas não a tens toda. E ainda bem, que assim sempre fica alguma para mim.
Ao Estado compete, além de muitas outras coisas (que não cumpre, mas isso é outra conversa), zelar pela segurança dos cidadãos. O cidadão tem o direito de ser protegido, e esse direito é irrenunciável. As seguradoras têm um papel meramente indemnizatório, e não interveniente nas questões de segurança rodoviária. Limitam-se a sacar o cacau. Entregar a segurança rodoviária às seguradoras, é o mesmo que entregar o sistema de saúde à Igreja que, como toda a gente sabe, reza por nós. Basta ver as passeatas a pé até Fátima em agradecimento por ter sido curada uma gripe (ainda ninguém se lembrou, infelizmente, de beatificar a Aspirina).
Outra coisa completamente diferente é a forma como essa segurança é exercida. E isso passa porque em Portugal toda a gente quer mandar, seja como for. Ora, em Portugal, "mandar" significa "implicar", "ser prepotente". Adjectivações que podem, facilmente, ser ultrapassadas de acordo com os euros em questão. Ou seja: a prepotência e a implicação podem estar na razão inversa das notas de euros acenadas.
Estás a perceber, ou faço um desenho?