Terça-feira, Agosto 08, 2006

Incêndios florestais

Inevitavelmente, mais dia menos dia, teria de abordar esta questão.
Foi hoje, porque, tal como muitas outras pessoas em Gondomar, também eu tive o fogo à porta de casa. A uns escassos 10 metros, para ser mais preciso.
Claro que tive de andar de mangueira em punho a molhar o mato, até que chegassem os bombeiros.


Sendo este tópico um caso particular e, como não sou uma pessoa egoísta, vou passar à abordagem mais geral, destas calamidades que já se vão tornando hábito, basta que haja uns diazinhos de mais calor. Só que o calor não pode, não deve, ser o responsável por todas as situações, algumas de autêntica catástrofe.
Passo a ser mais explícito:
O incêndio que começou a lavrar em S. Pedro da Cova, já se fazia notar a alguns quilómetros de distância, por volta das 7. 30 da manhã. Ora como sabemos, a essa hora não havia calor, a não ser o provocado pelo(s) incêndio(s); não houve trovoadas; não caiu nenhum meteoro nem avião; não houve nenhuma erupção vulcânica. Por isso, como se depreenderá, não se poderá alegar prováveis causas naturais. Logo, só pode ser fruto da acção humana, ou então, a algum fenómeno fisico ou metafisico que ultrapassa a minha compreenção.

Porque há tantos incêndios?
Não sendo um especialista na matéria, tenho entretanto conhecimentos suficientes para afirmar que, para além de ser, em alguns casos, uma forma económica de limpeza de matas, é essencialmente fruto da bandalheira na organização das florestas, na inércia de algumas autoridades, na incompetência de outras e, na incapacidade ou falta de interesse em se fazer cumprir a legislação sobre o tratamento das matas e florestas, ao ponto de, até nas matas nacionais, não haver condições para a intervenção dos bombeiros.
Não há acessos? Façam-nos! Uma qualquer máquina de terraplanagem faz caminhos num instante, e as autarquias têm-nas.
São terrenos privados? Responsabilizem-se os proprietários. É que, trata-se também de questões de segurança de pessoas e bens, e o argumento de que se trata de propriedades privadas, já começa a cansar, pelo menos a mim, que não aceito que o privado se sobreponha aos interesses gerais. Além de que, se esses proprietários deverem dinheiro às Finanças, bem que a propriedade deixa de ser privada, e passa a confiscada.

Por isso, não venham cá com tretas, que sou bom rapaz e como a sopinha toda.

Os cavalheiros da Protecção Civil, que tirem o cu das cadeiras e, antecipadamente, façam um levantamento dos locais de risco nos seus Concelhos e, a devido tempo, tomem medidas para os minimizar, nomeadamente para que se procedam às limpezas, ou identificando ou notificando os proprietários para que o façam e, caso não o façam, apliquem-se as sanções previstas na Lei.
Há muitos interesses envolvidos nos incêndios e nos meios para o seu combate? Admito que sim. Não tenho a certeza. O que me dá algumas certezas, é sentir que nada se faz para contrariar esta situação, a não ser propaganda governamental, e de se verem muitos processos de intenção, que, analisada a realidade, não passam disso mesmo.

Já agora, que os bombeiros tanto se queixam de falta de meios: Porque não colocar os veículos da Polícia de Intervenção - aqueles que servem para dispersar manifestações à mangueirada -, a combater também os incêndios. Já que a GNR o faz…
Até pode ser uma ideia parva, mas é uma ideia bem intencionada.

Está bem… já sei que no rescaldo dos fogos, vão surgir estatísticas a demonstrar que a percentagem de área ardida baixou. Baixará naturalmente, na exacta medida em que, cada ano que passa, menos área há para arder.
Depois querem que Portugal seja um país com vocação turística. Faz-me cócegas a ver se me rio!

Quando Portugal for visto como um todo, e não como um conjunto de regiões avulsas; Quando os departamentos governamentais criarem sinergias e não virem as suas zonas de influência e actividade, como o seu quintal; Quando formos governados por quem goste deste país e não ande armado em laparoto; Quando tivermos um governo com tomates para por um fim nestas calamidades sazonais e, que não ceda a interesses escusos, então, certamente, melhores verãos virão.
Até lá, e para além disso, resta-me a satisfação de ter sempre a mangueira pronta a entrar em acção.

2 comentários:

Anónimo disse...

Pois é, manter o lixo à porta de casa, durante todo um ano, e seguintes, é muito cómodo.
O pior é nestas alturas, em que o fogo se alimenta, desse mesmo lixo acumulado, junto às casas, aí é que são as dores de barriga.
Prevenção em primeiro plano. O resto é prazer, de ver à nossa volta, o fruto do esfotço, dispendido.
É sempre de lamentar, os incêndios assim como ps prejuizos, bem como as mortes que ocorrem, devido a esses factos.

Tenordois disse...

Primeiro, uma palavra para o "anónimo": para além de falar do que não sabe, esconde-se sob a cobarde capa do anonimato.
O único lixo que se pode encontrar à porta do autor do blogue, é quando algum anónimo por ali vagueia.
Segundo: Posso dizer-te, João, que pensei em ti enquanto as chamas lambiam mais um pedaço do nosso País; mas pensei sempre que essas coisas só acontecem aos outros... Esqueci-me de que, naquele momento, tu podias pertencer ao grupo dos "outros".
Mas anima-te. Já falta pouco. Portugal está a levar uma "carecada" florestal digna de participar no "Guiness", ao som das trombetas ministeriais, que anunciam a boa-nova todos os anos. Depois, quando a "carecada" estiver completa, Portugal será o único país da Europa - talvez do mundo - sem incêndios.
Neste momento, já somos o segundo melhor país da Península Ibérica em combate a fogos.